Há 40 anos grupo de Palma Inácio realizou o primeiro desvio de avião comercial
Naquela noite, para que os contratempos ficassem definitivamente para trás, foi preciso acelerar e mergulhar sem medo no escuro. Dez de Novembro de 1961. 0 primeiro carro saiu de Tânger ao princípio da noite, em direcção a Tetuan. Camilo Mortágua, 27 anos, ia ao volante, a cabeça enterrada nos ombros, pensativo. Palma Inácio, o veterano do grupo, quase nos quarenta anos, ia ao lado, sempre a mexer-se, com um ar diligente e divertido
À saída de Tânger, aconteceu o que previram: um carro cheio de agentes da Pide saiu atrás deles. Há meses que, na cidade, os pides seguiam todos os seus movimentos. Iam aos mesmos cafés, frequentavam os mesmos hotéis. Sabiam quem eles eram e qual o propósito da sua estada em Marrocos: preparar uma acção contra o regime de Salazar. Por isso, todos os dias, durante dois meses, Palma, Camilo, Amândio, Helena e Fernando, bem como o líder Henrique Galvâo e outros operacionais, iam ao porto de Tânger, fingiam que conversavam com uns e com outros, visitavam barcos. Tudo para convencer a polícia política de que preparavam uma operação marítima, como a que Galvâo tinha lançado meses atrás, com o paquete Santa Maria. Enquanto isso, outros elementos do grupo iam clandestinamente ao aeroporto de Tânger, informar-se sobre o voo de Lisboa que fazia escala em Tânger, seguia para Casablanca para, no dia seguinte, regressar directamente a Lisboa. Tratava-se geralmente de um avião francês fretado pela TAP, com piloto e técnicos franceses e tripulação de cabine portuguesa.
Paulo Moura/Pública
Foto da Net
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