terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

UM LINCE-IBÉRICO VEIO PASSEAR ATÉ PORTUGAL






Confirmada entrada de lince-ibérico em Portugal vindo de Huelva

Um lince-ibérico macho com cinco anos, seguido por telemetria, entrou em Portugal, na zona de Moura-Barrancos, vindo de Huelva na última semana de Janeiro e por cá ficou durante três dias. Esta é uma confirmação rara de que animais desta espécie ameaçada de extinção atravessam a fronteira.

Caribú está a ser seguido por telemetria pelas autoridades espanholas. Mas há cerca de um mês, estas notaram que o sinal que recebiam estava cada vez mais fraco. Desde então têm tentado capturar o lince para trocar as baterias do sistema transmissor que transporta.

Sandra Moutinho, assessora do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), contou ontem ao PÚBLICO que as autoridades espanholas pediram autorização a Portugal para capturarem Caribú. “Enquanto recebemos sinal de que o lince estava deste lado da fronteira, técnicos espanhóis e do ICNB estiveram no terreno à procura de vestígios do animal. Acabámos por encontrar pegadas”, confirmou.

Este lince, entretanto, já regressou a Espanha mas ainda não foi capturado, informou Sandra Moutinho.







“Acreditamos que os animais usam este corredor [entre Espanha e Portugal], entrando em território português”. Desta vez a novidade é que “conseguimos confirmá-lo”.

Caribú, original da Serra Morena, foi libertado na área protegida de Doñana, no Sul de Espanha, no final de 2008. Três meses depois já tinha viajado cerca de 200 quilómetros na província de Huelva. “Os seus movimentos proporcionaram muita e valiosa informação sobre os processos de dispersão deste felino, utilizada para a planificação das reintroduções” que o Governo espanhol tem realizado desde o final de 2009, segundo o site do projecto Life Lince da Junta da Andalucia. “A manutenção do seu colar localizador é vital para continuarmos a segui-lo”.

Estima-se que existam actualmente apenas cerca de 150 linces-ibéricos (Lynx pardinus); em meados do século XIX seriam cem mil espalhados por toda a Península Ibérica. Hoje a espécie vive em Portugal numa situação de "pré-extinção". O colapso das populações de coelhos, a sua principal presa, a caça indiscriminada e a perda de habitat explicam o cenário.








Morreu Garfio, o “patriarca” dos linces nascidos em cativeiro

Mas
os esforços de conservação da espécie sofreram um revés com a morte, na tarde de 1 de Fevereiro, de Garfio, o primeiro macho adulto a ingressar no programa ibérico de criação em cativeiro.

O
animal, com dez anos de idade, morreu de doença renal crónica “em fase muito avançada” no centro de La Olivilla, na Serra Morena, revela o site do Programa de Criação em Cativeiro.

Garfio
foi o pai da primeira ninhada de linces nascidos em cativeiro, em Março de 2005: Brezo, Brezina e Brisa. Foi macho reprodutor nas épocas de criação de 2005 a 2008 e proporcionou ao programa de reprodução um total de onze crias.

“Fez-se tudo o que era possível por este animal, mas as suas funções vitais estavam já seriamente comprometidas”. “Este é um dos dias mais tristes para todos os membros da equipa do programa de Conservação Ex situ”, lê-se no comunicado.

Actualmente, 25 dos 72 animais deste programa têm Insuficiência Renal Crónica e especialistas renais espanhóis e internacionais estão a trabalhar para encontrar um tratamento com sucesso.

Público/ Helena Geraldes

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segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

A SAÚDE DAS NOSSAS CRIANÇAS






Viroses sempre afectaram crianças, mas nunca preocuparam tanto os pais

As viroses, que afectam 85 por cento das crianças, sempre existiram, mas enquanto antes passavam quase despercebidas aos pais, mais atentos às clássicas “doenças da infância”, hoje concentram as atenções e enchem urgências.






Segundo o pediatra Mário Cordeiro, cerca de 85 por cento das doenças febris das crianças são causadas por vírus, e praticamente 95 por cento das doenças sem febre são virais. Embora estas viroses não chamassem a atenção dos pais há alguns anos, não quer dizer que não existissem, simplesmente eram eclipsadas pelos sarampos, varicelas, papeiras, e toda uma panóplia de outras doenças virais de consequências mais preocupantes.

Actualmente, estas doenças estão mais controladas, em grande parte graças à vacinação, mas em contrapartida as “viroses” dos primeiros anos de vida “aumentaram em incidência”. “Antigamente a vida era feita ao ar livre, sem infantários, e também sem a poluição urbana que fragiliza as crianças. Os próprios sistemas de climatização do ar não ajudam, em muitos casos, à contenção da propagação viral”, explica o pediatra.






O tipo de vida da sociedade moderna também contribui para as viroses na infância e para o comportamento mais ansioso dos pais, acrescenta. A urgência da vida de hoje leva a que os pais não consigam esperar o tempo médio de duração das viroses, três dias, e corram com a criança para o serviço de urgência ou para o médico.

“Acresce ainda a dificuldade em faltar aos empregos e a ‘obrigação’ de serem ‘pais perfeitos’, que faz com que queiram resolver logo o problema, para não se sentir culpa. Do mesmo modo, a sociedade exige tudo ‘no minuto’, o que faz com que “as crianças com viroses vão ao médico mais do que iam antigamente, contribuindo isto também para que pareça existirem mais viroses”, considera Mário Cordeiro.







António Vaz Carneiro, coordenador do centro de estudos da medicina baseada na evidência, explica que este é um fenómeno bem conhecido na medicina e que se traduz numa fórmula muito simples: “quanto mais atentos estamos, mais sensação temos de que existe”. “Hoje a situação está muito melhor do que aqui há uns anos. A saúde média da população melhorou, há menos doenças infecto-contagiosas, as pessoas estão mais nutridas e temos um serviço nacional de saúde que apoia imediatamente”, explicou.

As pessoas estão mais atentas e os médicos estão a detectar mais, porque há mais meios de diagnóstico. Em média, as crianças entre os três e os quatro anos têm três a quatro viroses por ano, acrescentou. São precisamente as crianças que têm maior probabilidade de serem contagiadas, porque as defesas são mais frágeis - explica o virologista -, mas também porque brincam, sem barreiras no contacto corporal, e frequentam um meio que é um “caldo de cultura” para os vírus, em termos ambientais, acrescenta Mário Cordeiro.







“Tal como acontece com as vacinas, por exemplo - e as viroses dos primeiros anos de vida são autênticas vacinas naturais” -, algumas crianças reagem mais do que outras, e enquanto umas podem ter os vírus e vencê-los sem sintomas ou com sintomas mínimos, outras haverá que exibem febre, tosse, obstrução nasal ou diarreias”, diz Mário Cordeiro.

Lusa/Público

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domingo, 7 de Fevereiro de 2010

POR FALAR EM CORAÇÃO…






Hipertensão arterial em 12,8% de jovens

Apresentado estudo no 4.º Congresso Português de Hipertensão, em Vilamoura

Cerca de 12,8% de crianças e adolescentes portugueses sofrem de hipertensão arterial. Esta foi a conclusão de um estudo apresentado no 4º Congresso Português de Hipertensão que está a decorrer, até amanhã, em Vilamoura.

Realizado em 2009 por uma equipa médica da clínica da Aveleira, Penacova, o estudo aferiu a prevalência da hipertensão em 5381 crianças e adolescentes saudáveis, entre os cinco e os 18 anos, nos distritos de Aveiro, Coimbra, Leiria e Viseu, não existindo disparidades relevantes entre os sexos feminino e o masculino. A falta de exercício físico e a obesidade foram apontadas como causas para tão elevado número de hipertensos entre os jovens portugueses.

No congresso foi ainda divulgado que estão diagnosticados cerca de três milhões de hipertensos em Portugal, dos quais cinquenta por cento desconhecem que têm a doença e apenas dez por cento estão controlados.

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sábado, 6 de Fevereiro de 2010

A “MÁQUINA” ANDA A PORTAR-SE MAL!






Coração falha a 36 mil

Uma morte súbita a cada dois minutos na Europa

A cada dois minutos há uma morte súbita cardíaca, a principal causa de morte nos países desenvolvidos. O alerta é da Fundação Portuguesa de Cardiologia, no âmbito do Dia Nacional do Doente Coronário, que se assinala no dia 14. Em 2007 ocorreram em Portugal 141 300 internamentos e 36 723 óbitos por doenças do aparelho circulatório.

"A morte súbita cardíaca constitui a principal causa de morte nos países desenvolvidos. Na Europa, 450 mil pessoas morrem por ano e a mortalidade é superior à da sida, cancros da mama e do pulmão e AVC em conjunto", afirma Hipólito Reis, da fundação. Para combater a morte súbita, afirma, é necessário reconhecer a importância do suporte básico de vida e criar-se programas de acesso à desfibrilação precoce em todos os locais frequentados por multidões, como os estádios de futebol".

CManhã

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BOM FIM DE SEMANA




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quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

MORREU A ACTRIZ COM ALMA DE POETA





Rosa Lobato de Faria desaparece aos 77 anos em Lisboa

Os lamentos surgem da televisão, literatura ou cinema. Elogiam-lhe a arte de contar histórias, o gosto pela conversa e a polivalência. Rosa Lobato de Faria deixa, aos 77 anos, um vazio no panorama cultural. Morreu vítima de uma grave anemia, após uma semana internada no Hospital Privado, em Lisboa.

Portugal conheceu-a nos anos 60 com a locução de programas na RTP. Integrou o elenco da primeira novela nacional, ‘Vila Faia’ (1982), e participou em outras como ‘Origens’ (1983) ou ‘Ninguém Como Tu’ (2005). Chegou até a escrever os argumentos de ‘Passerelle’ (1988) e ‘Telhados de Vidro’ (1994).

As marcas no pequeno ecrã estendem-se à comédia, seja com Herman José em ‘Humor de Perdição’ (1987) ou em outras produções como ‘Pisca--Pisca’ (1989). Sinal de que, além do rigor, sabia fazer rir.

Na literatura, à qual se dedicou a tempo inteiro nos últimos anos, dividiu a sua obra entre a poesia e o romance, tendo ganhado o Prémio Máximo da Literatura de 2000 com ‘O Prenúncio das Águas’ (1999). A sua vasta carreira inclui ainda a autoria de letras de canções, muitas das quais para festivais da canção, como ‘Amor de Água Fresca’ (1992) para Dina, ou ‘Chamar a Música’ (1994), cantada por Sara Tavares.

Já no cinema, às ordens de João Botelho, entrou em ‘Tráfico’ (1998) ou ‘A Mulher Que Acreditava Ser Presidente dos EUA’ (2003).

REACÇÕES

"Veio trabalhar comigo para ‘Humor de Perdição’ da RTP, com a mesma idade que tenho hoje: 55 anos. Conquistou--nos a todos. A escrita e a família eram as suas grandes paixões.": Herman José, Humorista

"Vai fazer muita falta. Era uma excelente escritora. Colaborou comigo muitos anos como professora universitária. Quando trabalhava, trabalhava mesmo. Era fascinante.": Tózé Martinho, Actor e argumentista

"É muito complicado, muito difícil pensar que morreu, porque era uma pessoa alegre e gostei imenso de trabalhar com ela. Tem dois ou três romances muito bons e a poesia.": Alice Vieira, Escritora

Correio da Manhã/Carla M. Ferreira/Rui P. Vieira

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MORREU MANUEL SERRA HISTÓRICO SOCIALISTA






Morreu o homem que desafiou e perdeu contra Mário Soares no primeiro Congresso do PS depois do 25 de Abril.

Manuel Serra morreu vitima de doença prolongada aos 78 anos.

Em 1974, quase conseguiu 44 % dos votos dos congressistas para uma orientação considerada mais à esquerda e de forte tendência revolucionária.

Na altura, um discurso de Manuel Alegre foi fundamental para dar a vitória a Mário Soares. Era a primeira grande divergência no PS em democracia.

O corpo de Manuel Serra foi cremado hoje, quarta-feira no Cemitério dos Olivais.

Alegre recorda Serra

Manuel Serra foi um dos símbolos da luta pela liberdade. É desta forma que Manuel Alegre reage à morte do histórico do Partido Socialista, vitima de doença prolongada.

Manuel Alegre admite divergências com Manuel Serra, mas destaca sobretudo a sua luta contra a ditadura de Salazar.

“O Manuel Serra foi um grande resistente anti-fascista, um homem que participou em muitas acções contra a ditadura, nomeadamente no assalto a Beja. Foi preso, barbaramente espancado, passou muitos anos na cadeia. Depois aderiu ao Partido Socialista, tivemos nessa altura até algumas divergências, mas sempre tivemos uma relação de grande companheirismo e respeito mutuo, porque, acima de tudo, participamos na luta pela liberdade”, afirma Manuel Alegre.

RRenascença OnLine


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