segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ENSINO SUPERIOR, QUE DESTINO? QUE SOLUÇÃO?




Famílias em dificuldades com custos da universidade

Os custos de um filho no ensino superior público ainda não são suportáveis para muitas famílias portuguesas

As famílias portuguesas, mesmo as de classe média, têm dificuldades em suportar os custos de um filho no ensino superior. Algumas, nem com apoios do Estado conseguem fazer face às despesas. A distância das universidades do meio familiar é um dos factores que contribui para a situação. E, por vezes, só a ajuda de um filho pode fazer com que outro possa terminar uma licenciatura.

É o que se passa na família Ivo Gomes. "Com três filhos e um rendimento familiar que não ultrapassa os 1300 euros por mês não poderíamos suportar as despesas da Patrícia na universidade e mais as da Andreia, que está a acabar uma disciplina do 12.º ano e a frequentar um curso profissional para poder começar a trabalhar. Só com a ajuda do meu filho mais velho temos conseguido. Este ano foi ele quem pagou os 1002 euros de propinas da Patrícia", confessa Teresa Filomena, a mãe da estudante universitária agora a frequentar o segundo ano de Psicologia, no ISCTE - IUL - Instituto Universitário de Lisboa.





Patrícia tem 26 anos e um problema de saúde congénito que a tem obrigado a sucessivas cirurgias ao longo da vida, motivo pelo qual foi considerada com um grau de incapacidade de 69% pelos serviços de saúde. A família recebe um subsídio do Estado de 150 euros por mês para suportara as suas despesas. Mas isso não chega sequer para os seus gastos correntes, quanto mais para livros e propinas.

Patrícia vive numa aldeia ainda distante do centro de Loures. Sai de manhã de casa para a faculdade e regressa à noite. Paga pelo passe mensal 50 euros e leva dez euros diariamente no bolso para almoçar e lanchar. Mesmo assim faz uma hora de transportes públicos e mais meia de caminhada em cada viagem de ida e volta.

Por isso, quase não compra livros. "Em cada semestre fotocopio os que necessito", conta a jovem. Como sabe que todos estão a dar uma ajuda para que termine a licenciatura não quer depois disso sobrecarregar mais a família. E, além da faculdade, este ano está a frequentar um curso técnico numa escola profissional, um investimento de mais 150 euros/mês que lhe permitirá depois ter um emprego para pagar o seu mestrado.






Os pais de Patrícia têm o ensino básico. A mãe reformou-se cedo por causa de um problema cardíaco. O pai é funcionário dos serviços de saneamento da Câmara Municipal de Loures. Mas Jorge e Isabel Antão são ambos licenciados, com empregos estáveis e ordenados acima da média. Mesmo assim, desde que Marta entrou na faculdade cortaram em várias coisas para fazer face aos custos. É por isso que Ana Nunes de Almeida, responsável do Observatório dos Percursos dos Estudantes da Universidade de Lisboa, diz que o processo de democratização do ensino superior ainda não é uma realidade consolidada, apesar dos esforços que têm sido feitos nesse sentido.

ANA TOMÁS RIBEIRO/DN PORTUGAL

Fotos da Net

Comentário:

“Nem precisava de ler os exemplos que vêm descritos neste artigo. Tenho o meu próprio problema com o meu filho mais novo que entrou este ano em Coimbra.

Com os custos previstos e que já começámos a pagar, só com trabalho extra conseguiremos fazer face a tudo. E…. “

GOLDFINGER



2 comentários:

elvira carvalho disse...

Nem sei que lhe diga amigo. Sabe que a educação sempre foi considerado um luxo neste país.
Um abraço e uma boa semana

Filoxera disse...

Lembro-me de os meus pais não terem gostado quando comecei a trabalhar (full time) na faculdade, mas foi o melhor que fiz. Não só lhes tirei um grande peso de cima, como me deu uma vantagem na hora em que terminei o curso, já com anos de experiência profissional.
Beijinhos.