sábado, 20 de junho de 2009

PREOCUPANTE!

Sete mil adolescentes grávidas em 2008





O número de adolescentes portuguesas grávidas ainda é dos mais elevados na Europa, mas a entrega para a adopção é rara. Em Portugal, para a mãe dar consentimento de entrega para a adopção não há limite de idade e o tribunal aceita que seja aos 14 anos. Especialistas dizem que é muito cedo e que se devia esperar até a mãe ter mais maturidade para decidir.

Em 2008, registaram-se 5800 partos de mães adolescentes e 1200 abortos, um total de sete mil gravidezes. O número tem vindo a diminuir, mas ainda coloca Portugal no segundo lugar entre os países europeus com mais grávidas adolescentes. Uma realidade mais visível com o caso de Ana Rita Leonardo, a jovem de 15 anos, que luta para travar a adopção do filho de dois anos e meio e que esteve em greve de fome.

À semelhança desta adolescente, que tenta evitar que o filho seja entregue para adopção, a maioria das mães menores opta por ficar com os filhos. "São raríssimas as adolescentes que dão os filhos para a adopção", reconhece Miguel Oliveira e Silva, obstetra que acompanha grávidas adolescentes no Hospital Santa Maria, em Lisboa.





A mesma opinião é reforçada por Sónia Lopes, da Associação para o Planeamento da Família (APF), que coordena um projecto onde estão a ser acompanhadas 40 menores grávidas da área de Marvila, em Lisboa. "Em Portugal é muito raro a entrega para a adopção", frisa.

Isto porque, a maioria "acaba por ficar em casa dos pais e há uma certa aceitação por parte da família, que já viveu situações semelhantes", considera Sónia Lopes. Menor é o número de jovens que tem necessidade de ser internado numa instituição.

A Segurança Social tem 11 instituições que apoiam exclusivamente mães adolescentes. E actualmente acolhem actualmente 41 jovens. O presidente do Instituto de Segurança Social, Edmundo Martinho revela ao DN que "estes números são mais ou menos estáveis" em relação a anos anteriores. As mães e as crianças que se encontram nestas instituições são consideradas de risco. E "a única hipótese disponível passa pelo acolhimento dos dois", diz Edmundo Martinho.

Os centros de acolhimento permitem que as jovens aqui permaneçam até aos 21 anos, ou seja, "até serem autónomas", ou até "se alterarem as circunstâncias e a família puder acompanhar a mãe e a criança", indica o presidente do Instituto da Segurança Social. A única condição é que as jovens continuem a frequentar a escola ou um curso de formação profissional.





O obstetra Miguel Oliveira e Silva acredita que as adolescentes que recebe são, regra geral, boas mães. E considera que aos 13 ou 14 anos as jovens "têm condições para ficar com as crianças". Ainda que admita que possam não ser "as ideais".

Já Edmundo Martinho entende que "nos casos em que a mãe adolescente tem uma retaguarda familiar que assegura uma maternidade acompanhada", há condições para educar o recém-nascido. Também Duarte Vilar, director-executivo da APF considera que "o mais importante é o suporte familiar e emocional da jovem mãe".

No entanto, os especialistas alertam para o facto de uma gravidez ser muitas vezes o único projecto de vida destas menores. "Para algumas adolescentes a ausência de outros projectos faz da maternidade um projecto facilmente aceitável", alerta Duarte Vilar. Por isso, Miguel Oliveira e Silva acredita que "a melhor arma para evitar a gravidez na adolescência é ter ambição na vida e ter objectivos".

DN PORTUGAL/ ANA BELA FERREIRA

Fotos da Net

GOLDFINGER




1 comentário:

Vieira Calado disse...

Olá, como está, meu caro!
Já tinha pensado que você era um cometa!
Quando desaparecem, ou só voltam décadas depois...
ou não mais voltam!

Folgo muito em saber que voltou.

Um forte abraço.