domingo, 29 de novembro de 2009

PADRE DE CELORICO NÃO FOI O PRIMEIRO NEM SERÁ O ÚLTIMO




Em Portugal há 400 padres católicos casados

Tal como sucedeu recentemente com o jovem padre de Celorico de Basto, muitos sacerdotes deixam o exercício do ministério por amor. Casam-se e têm filhos, mas para poderem ter um casamento religioso precisam de uma autorização vinda do Vaticano. Em Portugal, a Associação Fraternitas Movimento junta 107 padres casados e as suas famílias

Ao fim de 12 anos como sacerdote, José Serafim de Sousa sentiu que era altura de mudar. "Depois conheci alguém por quem me apaixonei e pedi dispensa ao bispo", conta. Passados três meses, conseguiu a redução ao estado laical e casou-se pela Igreja Católica. Hoje, passados 35 anos e com dois filhos e dois netos, este sacerdote assegura que não se arrepende. Como ele, em Portugal, há mais 400 padres que deixaram a Igreja Católica para enveredar pela vocação do matrimónio.







Segundo as regras da Igreja Católica nada impede que um sacerdote possa casar, pelo civil, depois de ser ordenado. É que, embora de acordo com os cânones católicos se esteja perante um pecado, não existe qualquer situação que implique uma pena canónica. "Só se tentar casar pela Igreja Católica, ainda obrigado às regras religiosas, é que o sacerdote irá incorrer numa violação da lei católica", explicita um elemento da Diocese de Lisboa.

Porém, e caso os sacerdotes desejem casar pela Igreja Católica terão de solicitar ao Vaticano a redução ao estado laical. Só depois de ser aceite o fim das obrigações religiosas é que o sacerdote poderá contrair matrimónio na igreja. Foi o que sucedeu a um sacerdote indiano ano passado se casou com uma freira portuguesa. "Casaram primeiro pelo civil e depois de autorizados pelo vaticano casaram pela Igreja", conta José Serafim de Sousa, que lidera a Fraternitas Movimento, uma associação privada de fiéis constituída por padres dispensados do exercício do ministério, casados ou não, e suas esposas ou viúvas.

A associação conta com 107 padres casados como sócios, e grande parte tem mais de 70 anos, mas há outros com cerca de 40 anos. Um dos casos mais recentes é um padre da Diocese de Lamego, que se casou com uma rapariga da terra.






Aliás, muitos dos padres apaixonam-se pelas secretárias, ajudantes ou alunas. Foi o que terá acontecido a Rui Pereira, de Celorico de Basto e a um padre de Bragança, que há 20 anos, dava aulas de Direito e se apaixonou por uma aluna 16 anos mais nova, com quem casou.

"Há casos mais simples e outros mais complicados", diz José Serafim de Sousa, adiantando que um padre, que acredita em Deus, quer sempre casar-se pela Igreja. No seu caso, foi fácil. Quando se apaixonou pediu dispensa e três meses depois, e "porque o bispo era uma pessoa compreensível e simpática", conseguiu a redução ao estado laical e ainda no ano de 1974 casou.

A associação que José lidera esteve este fim-de-semana reunida num retiro em Fátima. "É preciso dizer a quem deixa o sacerdócio que a vida continua E que nos procura é porque quer manter a ligação à igreja, porque sente alguma nostalgia", explica o padre casado.








Há, porém, alguns que "pedem para regressar ao seio da Igreja Católica". Normalmente quando se divorciam ou, sobretudo, quando ficam viúvos.

Para José Serafim de Sousa, que defende que "o celibato foi imposto pela hierarquia e que não tem ponta por onde se lhe pegue", a Igreja Católica está a entrar em contradição consigo própria. "Não percebo por que é que o Santo Padre recebe os padres anglicanos, que são casados, e não aceita que os padres católicos se casem", diz, considerando que a "aceitação dos padres anglicanos poderá alargar a discussão ao casamento dos padres católicos". Mas, admite: "A Igreja é muito lenta na mudança.

por HELDER ROBALO, com CATARINA GUERREIRO/DN PORTUGAL

Fotos da Net

Comentário:

“Sem comentários!”

GOLDFINGER


2 comentários:

Isamar disse...

Que estes casos aconteçam, acho-os naturais, humanos mas não compreende por que razão continuam os padres a ser impedidos de constituir família e de continuar como ministros de Deus na sua paróquia.Assim , a Igreja corre o sério risco de , a curto prazo, ficar sem sacerdotes.

Bem-hajas!

Beijinhos

Dalinha Catunda disse...

Olá Amigo,
Sou de uma cidade do interior do Ceara, Nordeste do Brasil. A cidadezinha se chama Ipueiras. Os padres que andaram por lá alguns casaram, e sabe-se de outros esqueceram por completo os mandamentos. Pecaram contra castidade, desejaram a mulher do próximo. Assim sendo, é melhor permitir o casamento.Eu acredito em Deus, amo Nossa Senhora, mas já não admito intermediário entre eu e meu Deus.
Grande abraço,
Dalinha