segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A SAÚDE DAS NOSSAS CRIANÇAS






Viroses sempre afectaram crianças, mas nunca preocuparam tanto os pais

As viroses, que afectam 85 por cento das crianças, sempre existiram, mas enquanto antes passavam quase despercebidas aos pais, mais atentos às clássicas “doenças da infância”, hoje concentram as atenções e enchem urgências.






Segundo o pediatra Mário Cordeiro, cerca de 85 por cento das doenças febris das crianças são causadas por vírus, e praticamente 95 por cento das doenças sem febre são virais. Embora estas viroses não chamassem a atenção dos pais há alguns anos, não quer dizer que não existissem, simplesmente eram eclipsadas pelos sarampos, varicelas, papeiras, e toda uma panóplia de outras doenças virais de consequências mais preocupantes.

Actualmente, estas doenças estão mais controladas, em grande parte graças à vacinação, mas em contrapartida as “viroses” dos primeiros anos de vida “aumentaram em incidência”. “Antigamente a vida era feita ao ar livre, sem infantários, e também sem a poluição urbana que fragiliza as crianças. Os próprios sistemas de climatização do ar não ajudam, em muitos casos, à contenção da propagação viral”, explica o pediatra.






O tipo de vida da sociedade moderna também contribui para as viroses na infância e para o comportamento mais ansioso dos pais, acrescenta. A urgência da vida de hoje leva a que os pais não consigam esperar o tempo médio de duração das viroses, três dias, e corram com a criança para o serviço de urgência ou para o médico.

“Acresce ainda a dificuldade em faltar aos empregos e a ‘obrigação’ de serem ‘pais perfeitos’, que faz com que queiram resolver logo o problema, para não se sentir culpa. Do mesmo modo, a sociedade exige tudo ‘no minuto’, o que faz com que “as crianças com viroses vão ao médico mais do que iam antigamente, contribuindo isto também para que pareça existirem mais viroses”, considera Mário Cordeiro.







António Vaz Carneiro, coordenador do centro de estudos da medicina baseada na evidência, explica que este é um fenómeno bem conhecido na medicina e que se traduz numa fórmula muito simples: “quanto mais atentos estamos, mais sensação temos de que existe”. “Hoje a situação está muito melhor do que aqui há uns anos. A saúde média da população melhorou, há menos doenças infecto-contagiosas, as pessoas estão mais nutridas e temos um serviço nacional de saúde que apoia imediatamente”, explicou.

As pessoas estão mais atentas e os médicos estão a detectar mais, porque há mais meios de diagnóstico. Em média, as crianças entre os três e os quatro anos têm três a quatro viroses por ano, acrescentou. São precisamente as crianças que têm maior probabilidade de serem contagiadas, porque as defesas são mais frágeis - explica o virologista -, mas também porque brincam, sem barreiras no contacto corporal, e frequentam um meio que é um “caldo de cultura” para os vírus, em termos ambientais, acrescenta Mário Cordeiro.







“Tal como acontece com as vacinas, por exemplo - e as viroses dos primeiros anos de vida são autênticas vacinas naturais” -, algumas crianças reagem mais do que outras, e enquanto umas podem ter os vírus e vencê-los sem sintomas ou com sintomas mínimos, outras haverá que exibem febre, tosse, obstrução nasal ou diarreias”, diz Mário Cordeiro.

Lusa/Público

Fotos da Net

GOLDFINGER



1 comentário:

elvira carvalho disse...

E a minha Mariana que fez um aninho, tem estado doente.
Bronqueolite dizem os médicos.
Amigo estou regressando.
Um abraço e tudo de bom para vós