domingo, 18 de janeiro de 2009

GOVERNO PORTUGUÊS FECHA ESPAÇO AÉREO A AVIÕES COM ARMAS PARA ISRAEL


Lisboa - O Governo de Portugal decidiu hoje não permitir o voo ou aterragem nos aeroportos locais de aeronaves que transportem material bélico a Israel, enquanto continuar a ofensiva militar na Faixa de Gaza.

A decisão do Governo socialista de José Sócrates foi adoptada após vários pedidos nas últimas semanas do ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado, para que se declare um cessar-fogo em Gaza.

A representante da Autoridade Palestiniana em Lisboa, Randa Nabulsi, agradeceu o gesto e afirmou que a ofensiva militar israelita matou muitos civis e violou leis internacionais sobre o uso de armas.

A delegada palestiniana expressou a sua confiança de que a União Europeia (UE) também adoptará medidas e vai reconsiderar a decisão de reforçar as suas relações com Israel.

A Embaixada israelita em Portugal ainda não comentou a decisão do Governo português, que na quarta-feira expressou "a sua profunda preocupação com a situação humanitária em Gaza" e pediu o cessar-fogo e a retirada das forças israelitas do território palestiniano.

Portugal, que esta semana doou 400 mil dólares à Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA) em resposta ao pedido de emergência dessa organização, disse "que não existe uma solução militar" para o conflito.

Além disso, pediu o retorno à via das negociações para "criar um Estado palestiniano independente, viável e democrático, que viva em paz e segurança junto a Israel e seus outros vizinhos".

Angola Press

Representante da Autoridade Palestiniana "aprecia muito" decisão de Portugal sobre voos

A delegada-geral da Autoridade Palestiniana em Portugal declarou este sábado "apreciar muito" a decisão de Portugal de proibir a passagem pelo espaço aéreo português de material contencioso para Israel enquanto se mantiver a operação militar na Faixa de Gaza.

"Apreciamos muito a decisão, que está do lado dos direitos humanos", disse Randa Nabulsi à agência Lusa.

Considerando tratar-se de uma "decisão justa", a diplomata assinalou que "nas últimas três semanas, muitos civis foram mortos (em Gaza) e muitas armas foram usadas contra a lei internacional".

O mais recente balanço de vítimas da ofensiva israelita, lançada a 27 de Dezembro, regista 1.160 mortos e cerca de cinco mil feridos.

Randa Nabuldi disse ainda esperar que "a União Europeia reconsidere a decisão de reforçar as relações com Israel".

Jornal de Notícias

COMENTÁRIO

Não sei dos efeitos práticos desta medida do Governo Português, mas pelo menos é uma tomada de posição pública e positiva que deveria ser seguida por todos os outros países, e que a mim me agradou.

Talvez assim se evitasse o transporte de armas vendidas quer para um lado quer para o outro, do conflito.

A religião sempre foi um foco de divergências entre os povos e o radicalismo, de qualquer das partes, deveria ser banido definitivamente. Quem defende uma religião, tinha a obrigação de defender os direitos humanos e uma sã convivência entre os povos. Infelizmente, não é isso que acontece e de vez em quando assistimos a algumas afirmações pouco felizes que mais não servem que ir alimentando as divergências, especialmente quando são proferidas por responsáveis religiosos de países que estão afastados do cenário dos conflitos, e onde a convivência entre as diferentes religiões até são pacificas. Refiro-me concretamente aos comentários de D. José Policarpo, em relação ao envolvimento amoroso entre jovens católicos e muçulmanos pois são um poço de sarilhos. Não discuto a veracidade dos problemas do envolvimento, e até acredito que sim, que algumas complicações podem surgir, mas se há amor, se há vontade e disposição para o enlace porque não são ultrapassáveis as barreiras religiosas, ou já se entrou na disputa de adeptos das religiões?

Parece-me que num caso destes, todos temos direitos à nossa opinião, mas não temos o direito de inflamar a opinião pública com a nossa, especialmente se formos destacadas figuras públicas, o que é o caso neste particular. Reconheço que foi uma atitude corajosa mas é que há opiniões que podem ser pensadas mas não ditas de qualquer maneira e em qualquer lugar. É “alimentar” ainda mais as diferenças entre credos e raças, ou não será? Qual a necessidade de uma afirmação pública destas em Portugal e num altura em que o conflito entre Palestinianos e Israelitas está de novo ao rubro? Porque será que a Igreja sentiu necessidade de vir amenizar estas afirmações? O poder e as religiões são perigosos quando se juntam, lá isso são. Cega os homens.

GOLDFINGER

Foto da Net


10 comentários:

Brancamar disse...

Meu amigo,

Eu vi ontem que foste logo fazer a correção que a gente sabe, mas juro que só vi no final e até me ri, já tinha chegado lá.
Tem um bom Domingo. Quanto a este post volto logo porque estou de saída e com pessoas à minha espera.
Mil beijinhos.
Branca

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDO AMIGO, MARAVILHOSO TEXTO, SÂO CERTÍSSIMAS TODOS OS TEUS COMENTÁRIOS SOBRE ESTE ASSUNTO... O ÍNICO QUE AQUI LI E FIQUEI ESPANTADA FOI O DE D. JOSÉ POLICARPO... NA MINHA HUMILDE OPINIÃO UM COMENTÁRIO SEM NEXO... UM GRANDE ABRAÇO E UM RESTO DE BOM DOMINGO...
FERNANDINHA

Menina do Rio disse...

A fé que cega...
Em todos os tempos, o fanatismo religioso matou mais que todos os cataclismas.
Enquanto os homens fabricarem armas, não haverá "cessar fogo".

Obrigada pela tua visita e por me acompanhares.

Um beijo eterno!

Goldfinger disse...

Branca

Tem um bom domingo. E obrigado pela dica.

Beijinhos

Goldfinger disse...

Fernandinha

Pois, ele há pessoas que se convencem que podem dizer tudo, ou que são donos de tudo e todos.
Por isso, esquecem que a liberdade deles acaba onde começa a do vizinho.

Grande abraço

Goldfinger disse...

Menina do Rio

A ambição sempre perdeu o homem. O poder cega-o. As religiões alimentam tudo isso.
Isto um dia muda... espero...
Abraço e um beijinhos

Laura disse...

Sempre disse e hei-de dizer que as Religiões só vieram trazer milhares de anos em atraso de aprendizagem ao homem... A Religião é sim, o ópio dos Povos ainda mal preparados para viverem em harmonia com todos.
Claro que tudo o que é mau devia ser banido, como guerras, fome, falta de pão, falta de educação, enfim...mas, a maioria só olha para fora e não sabem ainda olhar para dentro de si...Só quando isso for possível, as guerras acabarão e haverá paz no mundo. Resta aguardar se na realidade a paz ainda virá a tempo!...

Goldfinger disse...

Verdade Laura, não encontraria melhores palavras para descrever o que sinto, que as suas.
As religiões encobrem muita coisa, muito mal, e é sob a sua capa que muitas guerras (quase todas) se têm desenrolado.
Claro que nós, que temos a nossa fé, por vezes deixamos que nos enganem, precisamente porque a procuramos. É preciso ver bem quem são os protagonistas, o que querem e quais os fins que procuram.

Beijinhos

Cata-Vento disse...

Um post excelente que assino contigo,Gold amigo. Em nome da religião muitas atrocidades têm sido feitas como sabes. Não percebo por que razão se continua a gastar tanto dinheiro a fazer a guerra em vez de o utilizarem a matar a fome.Até quando assim ditarão os mandantes do mundo?
Jinhos muitossss

Goldfinger disse...

Cata-Vento

Quantas e qual a pior. O mundo tem sofrido mutações graças a elas.
Se já foste a Fátima, provavelmente já viste a nova Igreja do Santuário.
Imaginas o que se gastou naquele templo? O que seria de muitas famílias que tanta fome passam...

São as ambições do homem, a cegueira e a vontade de mandar...

Um bom regresso à semana que aí vem

Jinhos