sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

OS PERIGOS DO CIÚME


“Quem na sua vida amorosa não sentiu já uma pontinha que fosse de ciúmes? Acho que muito poucos não o sentiram, mesmo aqueles que dizem que não ligam a isso. Em demasia acho que pode ser muito perigoso e sobretudo pode levar a uma rotura irreparável, mas se for quanto baste, até penso será benéfico à relação, quer para um quer para o outro. Funciona assim como uma espécie de pitada de sal. O importante é que entre as partes exista uma forte dose de racionalidade e auto-controle. Mas quem sou eu para falar de ciúme, senão que sou um dos que não o nega, mas que não cega por causa disso. Vejamos o que encontrei pela Net sobre o tema e que partilho convosco”.

O ciúme é uma espécie de temor, que se relaciona com o desejo de conservarmos a posse de algum bem; e não provém tanto da força das razões que levam a julgar que podemos perdê-lo, como da grande estima que temos por ele, a qual nos leva a examinar até os menores motivos de suspeita e a tomá-los por razões muito dignas de consideração.
E como devemos empenhar-nos mais em conservar os bens que são muito grandes do que os que são menores, em algumas ocasiões essa paixão pode ser justa e honesta. Assim, por exemplo, um chefe de exército que defende uma praça de grande importância tem o direito de ser zeloso dela, isto é, de suspeitar de todos os meios pelos quais ela poderia ser assaltada de surpresa; e uma mulher honesta não é censurada por ser zelosa de sua honra, isto é, por não apenas abster-se de agir mal como também evitar até os menores motivos de maledicência.

Mas zombamos de um avarento quando ele é ciumento do seu tesouro, isto é, quando o devora com os olhos e nunca quer afastar-se dele, com medo que ele lhe seja furtado; pois o dinheiro não vale o trabalho de ser guardado com tanto cuidado. E desprezamos um homem que é ciumento de sua mulher, pois isso é uma prova de que não a ama da maneira certa e tem má opinião de si ou dela. Digo que ele não a ama da maneira certa porque se lhe tivesse um amor verdadeiro não teria a menor inclinação para desconfiar dela. Mas não é à mulher propriamente que ama: é somente ao bem que ele imagina consistir em ser o único a ter a posse dela; e não temeria perder esse bem se não julgasse que é indigno dele, ou então que a sua mulher é infiel. De resto, essa paixão refere-se apenas às suspeitas e às desconfianças; pois tentar evitar algum mal quando se tem motivo justo para temê-lo não é propriamente ter ciúmes.

René Descartes, in 'As Paixões da Alma'





Como entender a dinâmica do ciúme? O ciúme pode ser o intenso medo de perder alguém. E, quanto mais ele cresce, mais estamos ameaçados de perder o objecto do nosso amor. O amor individualista sente muito ciúme. O ciúme pouco tem a ver com um comportamento amoroso.

As pessoas que sentem muito ciúme estão cheias de raiva, egoísmo e orgulho. A erva daninha cresce, se alastra e invade o jardim do amor. O ciúme doentio prevalece naquele que não respeita a individualidade da pessoa amada. O cuidado com a pessoa amada, a atenção, não precisa de raiva, nem de manipulação ou limites.

O ciúme não é causa. Pode ser a consequência de algo que vai muito mal dentro da sua vida ou no contexto do seu relacionamento amoroso. O ciumento pode estar projectando na pessoa amada o que vai dentro do seu coração, dentro da sua própria natureza.

O ciúme não garante nada, nem a presença da pessoa e, muito menos, o amor. O ciúme não garante a validade do amor. Quanto mais forte, mais perigoso. Se você acha que a pessoa amada não merece sua confiança, por que está com ela? As pessoas, às vezes, teimam em relacionamentos doentios por puro medo e insegurança. Insistem em sentimentos mesquinhos que não resolvem os problemas. Agravam mais ainda a intimidade amorosa.

Quando o relacionamento está cheio de dúvidas, incertezas, sinaliza perigo eminente. É preciso rever tudo e procurar a verdadeira causa.

O ciúme é como o sal na comida. Na dose certa, dá sabor ao prato. Sal demais deixa a comida intragável. O ciúme é um problema seu e, não, necessariamente do relacionamento em si. Como uma birra numa criança mimada. Se, quer atenção e carinho faça por merecer demonstrando realmente um comportamento amoroso.

Sandra Cecília – Psicóloga Clínica

Fotos da Net

GOLDFINGER


3 comentários:

Maria disse...

Penso que o ciúme está aliado ao medo de se perder a pessoa que se ama, logo é uma falta de confiança em nós e no outro.
É claro que um pouquinho de "pimenta" no prato não faz mal a ninguém e pode estimular a relação (disse pimenta porque o sal em excesso faz mal...), mas quando é em demasiada estraga mesmo a relação.
E que dizer do ciúme nas relações de amizade? Chega a ser doentio certas pessoas quererem a exclusividade da amizade só para elas...

Um beijinho, Goldfinger

Cata-Vento disse...

Gold, amigo!

Nem sempre conseguimos tomar a dose certa ( q.b.) para condimentar a relação amorosa.Mas concordo contigo. Um bocadinho, uma pitada,dá paladar à relação. Nada de exageros! Se assim acontecer, o amor torna-se doentio, a relação deteriora-se e a sua dissolução é o remédio certo.

Jinhos mil

Tem um bom fim de semana!

Bem-hajas!

angel bar disse...

Convite para Long Drink "Just The Way You Are" no Angel Bar. Monstros Electrónicos II, verídico... Bom Fim de Semana.